A SALVAÇÃO DE NEGRINHA
( Anne Lieri)
Anos quarenta.
Zona sul de São Paulo.
Bairro da Capela do Socorro.
Sr. Moreira era dono da padaria do Largo do
Socorro. Homem sério, trabalhador e com família grande para sustentar.
Certo dia estava com sua filha, Alice, que
tinha entre quatro e cinco anos, próximo á Ponte do Socorro que dava acesso a
um rio.
Um homem vinha com um saco de farinha cheio
de filhotes de cachorros e a menina Alice logo se encantou.
_ Posso ver moço? Posso?
O rapaz abriu o saco e ali estavam os mais
lindos cachorrinhos que Alice já havia visto!
De todos a mais branquinha a olhou com os
olhos melosos e lambeu a sua mão.
Naquele tempo não havia a conscientização
para a castração e os direitos dos animais. As ruas viviam cheias de cães
abandonados e esse homem pretendia afogar aqueles cachorrinhos no rio.
_ Posso ficar com um, moço? Posso?
Olhou para o pai.
_ Posso ficar com um, pai?
O Sr.Moreira já tinha muitas bocas para
alimentar e a vida não era fácil, de modo que não gostou muito da ideia, mas
Alice era insistente e não parava de pedir.
_ Posso ficar com essa Branquinha? Olha
pai, ela gostou de mim!
O coração do velho Moreira era mole, apesar
da aparência de “durão”.
O homem dos cachorros foi logo dizendo:
_ Esses cachorrinhos estão fraquinhos. Nem
desmamaram. Vão morrer de qualquer maneira...
Mas Alice retrucou, com o olhar cumprido:
_ Eu cuido dela, pai... Dou leite, coloco
numa caixinha bem quente...
Seu pai olhou para o moço, como a pedir sua
opinião. Estava numa tremenda saia justa, porque mais que tudo, amava aquela
filha, sua mais espevitada!
_ Eu aviso: ela não vai vingar, mas se
quiser tentar... vou jogar no rio de qualquer jeito! Tanto faz morrer hoje,
como daqui a dois dias...
_ Ah, pai! Deixa que eu fique com ela!...É
tão bonitinha!...
Diante do pedido insistente de Alice, seu pai
cedeu e, a menina foi contente para casa com sua nova cachorrinha.
Sr Moreira arrumou um nome pomposo para a
cadelinha, mas Alice cismou de chamar a branquinha de “Negrinha”.
Não perguntem a ela o porque, pois nem ela
sabe.
Colocou Negrinha na caixinha, agasalhou,
deu leite, cuidou como se fosse um bebê e a cadelinha cresceu, forte e sadia!
Passado algum tempo todos os vizinhos da Avenida
de Pinedo onde moravam conheciam a Negrinha!
Alice corria para lá e para cá com a
pequenina:
_ Negrinha! Negrinha!...
E Branquinha obedecia, indo atrás da
menina...
Foi assim que Negrinha foi salva por Alice
de morrer afogada!
* Essa é uma história verdadeira, contada por minha mãe, Alice , a quem
dedico essa postagem de hoje!
Chegou o Edu com essa linda homenagem:
Família grande para sustentar
Sr. Moreira homem sério trabalhador
Alice cismou a Branquinha de Negrinha chamar
Sr, Moreira desse nome ser o inventor!
A Negrinha ser uma cadelinha
Mas Alice a colocou numa caixinha